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Cana não atrapalha a produção de alimentos, afirma CNA

Confederação faz as contas e diz que plantio alcançará 8% da área destinada à agricultura

O presidente da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Edison José Ustulin, não vê possibilidade de o crescente plantio da cana atrapalhar a produção de alimentos no País. Ele diz que a área do plantio de cana alcançará no máximo 8% da destinada à agricultura, isso quando o País estiver produzindo o máximo possível, de 350 bilhões a 400 bilhões de litros de etanol. Hoje, a produção é de 20,5 bilhões. "Não será preciso usar um metro de terra de cerrado ou da Amazônia", afirma.

Ustulin cita números para apostar que a cana-de-açúcar não vai atrapalhar a produção de alimentos. "Dos 62 milhões de hectares plantados com grãos e outros tipos de alimentos, 7 milhões estão ocupados com a cana." A pecuária, segundo ele, tem 220 milhões de hectares de pasto. "Desses, 90 milhões de hectares podem ser utilizados na agricultura. Dos 90 milhões da agricultura, somente 23 milhões de hectares podem receber cana, por causa das características da terra."

Ele faz uma soma, para reafirmar que a cana não é uma ameaça. "Sete milhões atuais, com 23 milhões, somam 30 milhões de hectares, que podem ser usados para o plantio da cana, sem entrar em nenhuma nova área, sem desmatamento", afirma. "Se destinarmos dessa área de 30 milhões de hectares 65% à produção de etanol, teremos mais ou menos 20 milhões de hectares para o álcool."

Hoje, segundo Ustulin, a produção é de 7 mil litros de álcool por hectare. "Temos capacidade de chegar a 140 bilhões de litros. Mas podemos ir a muito mais. Com a transformação de toda a matéria-prima em álcool (bagaço e folhas), que chamamos de verticalização industrial, dá para chegar a 280 bilhões de litros. E, com o avanço da tecnologia, com novas formas de produção e modernização das usinas, mais irrigação, chegaremos à produção máxima, que será de 350 bilhões a 400 bilhões de litros. Isso é mais do que suficiente para abastecer meio mundo. Hoje nossa produção é de 20,5 bilhões."

Portanto, afirma Ustulin, por maior que seja o plantio, o máximo que se chegará com a cana será de 8% da área agricultável do País. Atualmente, 1,5% da área total é usada. "Não será necessário derrubar nada de cerrado nem de mata."

Ele prevê que a pecuária extensiva, de pastos, terá de dar lugar à intensiva, de confinamento, porque essa é a tendência mundial. "Com a modernização da atividade de pecuária, gado e cana vão conviver sem problema. A cana fornecerá a ração para o gado. Portanto, poderemos produzir em conjunto açúcar, álcool e proteína. Não há risco", afirma.

CONFLITO

O conflito entre a cana, o gado e outras culturas já chegou em cidades de grande potencial de produção agrícola e pecuária. Em Rio Verde (GO), com o apoio de 47 entidades, o prefeito Paulo Roberto Cunha (PP) aprovou na Câmara Municipal, em 2006, lei que restringe o plantio de cana a 10% da área agricultável da cidade.

Como são 500 mil hectares, a cana só poderá ocupar 50 mil. No ano passado, só em Goiás a área plantada com cana aumentou 17%. Neste ano, ainda não há números exatos, mas calcula-se que o crescimento pode ter chegado a mais 25%. Ao todo, com algumas em processo de instalação, o Estado de Goiás já tem 27 usinas.

Segundo o prefeito Paulo Roberto Cunha, o mais preocupante na expansão da cana é a interferência no modelo econômico da cidade, já consolidado com multiplicidade econômica. Só a Perdigão, que atua na área de alimentos, gera 6 mil empregos e tem um plano de expansão de R$ 500 milhões para os próximos cinco anos.

Ao tomar a decisão de limitar a cana, o prefeito lembrou que perderia receita. Mas disse que preferiu agir assim, para evitar comprometer a multiplicidade de negócios na cidade.

João Domingos, UBERABA

Domingo, 28 outubro de 2007
O Estado de São Paulo

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