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A agricultura e o desafio de até 2050 acabar com a fome mundial

Reunidos em Roma, cerca de 300 experts em agricultura e alimentação sugerem como eliminar o problema em 4 décadas

- Produzir mais, para uma população 35% maior, com menos recursos, mais pragas e com pressão ambiental e climática cada vez maiores. Este desafio a agricultura mundial terá de enfrentar para contribuir para a erradicação da fome no Planeta até 2050. Um planeta que terá 9,1 bilhões de habitantes - ante 6,8 bilhões atualmente. Na semana passada, cerca de 300 experts do mundo todo e 40 palestrantes reuniram-se na sede da Food and Agriculture Organization (FAO), da Organização das Nações Unidas (ONU), em Roma, Itália, para encontrar caminhos que garantam o aumento da produção agrícola e fazer, de fato, com que os alimentos cheguem à população mundial.

No âmbito do Fórum de Experts de Alto Nível, promovido pela instituição nos dias 12 e 13, o diretor geral da FAO, Jacques Diouf, lançou o desafio em seu discurso de abertura: "Temos quatro décadas para identificar soluções que permitam afrontar a fome mundial", disse Diouf, acrescentando que a meta de erradicar a fome no mundo não é só ética. "É econômica, pois é provado que o crescimento do PIB procedente da agricultura é pelo menos duas vezes mais eficaz do que o crescimento proveniente de outros meios."

DEBATES

Agricultura biológica, transgenia, segurança alimentar, escassez mundial de terras, mudanças climáticas, biodiversidade, concorrência das terras agricultáveis com o plantio de biocombustíveis, acesso aos alimentos e a tecnologias, a questão da África, uso racional de água na agricultura, pecuária. Praticamente nenhum assunto escapou aos debates.

Segundo o professor de Economia Agrícola Alain de Janvry, da Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos, referência em pesquisas sobre desenvolvimento rural, sobretudo na África e América Latina, a agricultura mundial está sendo desafiada a mudar de paradigma. "Desenvolvimento já não coincide com industrialização, como nos anos 1960", disse Janvry. "Hoje é a agricultura que tem enorme potencial de gerar superávits." Janvry lamenta o fato, porém, de nos últimos anos a agricultura ter sido subutilizada, inclusive para garantir a erradicação da fome no mundo. "Temos de pensar hoje numa agricultura globalizada e analisar qual o papel da agricultura no caminho do desenvolvimento."

"Sobretudo na África, necessitamos de uma nova revolução verde, só que com maior participação dos agricultores, e sobretudo da mulher, além de maior financiamento por parte dos organismos internacionais e garantia de acesso dos pequenos produtores à economia de mercado."

Para o economista superior da FAO, Josef Schmidhuber, embora ainda haja grandes extensões de terra agricultáveis no mundo - são 4,2 bilhões de hectares no total, dos quais 1,6 bilhão está em uso hoje -, essas terras estão distribuídas de "maneira desigual". Sobretudo América Latina e África Subsaariana ainda dispõem de áreas para expandir a agricultura. De toda forma, para ele, a pobreza no mundo não está ligada à falta de capacidade de produção, já que é possível desenvolver os cultivos em novas terras, independentemente de onde elas estiverem no globo terrestre. "A insegurança alimentar é uma questão política."

A crise econômica, iniciada em setembro de 2007, elevou em 105 milhões de pessoas o número de famintos no mundo, segundo a FAO. Em seu discurso no dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, Jacques Diouf exortou os líderes mundiais a fazer um acordo que permita aumentar a porcentagem de 5% para 17% destinada à agricultura. Todos os debates realizados durante o Fórum de Experts de Alto Nível serão consolidados nas próximas semanas e contribuirão para nortear as discussões da Conferência Mundial da Fome, que a FAO promove entre 16 e 18 de novembro, em Roma.

Tânia Rabello
O ESTADO DE SÃO PAULO - Suplemento Agrícola
Quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A repórter viajou a Roma a convite da FAO

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